ENTRE NÓS: EXPERIMENTAÇÃO DA POTÊNCIA DO CORPO NO ESPAÇO OPACO DA PRAIA VERMELHA
O presente trabalho se insere no campo de estudos sobre o Corpo e a Cidade, em vista de contribuir no processo de ampliação crítica e exploração acerca do tema. Deseja-se unir indagações e reflexões para caminhos alternativos à espetacularização das cidades, no sentido de apresentar uma perspectiva de rompimento com o processo globalizado produtor de gigantescas cenografias urbanas do mundo contemporâneo que, por sua vez, reduz as possibilidades de experiência humanas no espaço urbano. Para tanto os primeiros capítulos deste trabalho evidenciam o contexto da cidade de Niterói como um todo, para então focalizarmos no espaço alvo de análise e experimentação, a Praia Vermelha, como sendo espaço ofuscado pela luminosidade hegemônica, e que resiste a esse processo pela própria presença corporal que se apropria. Confronto à complexidade das dinâmicas socio territoriais, partindo da premissa de que corpo e cidade se relacionam, mesmo que involuntariamente, através da simples experiência urbana, da organização física aliada aos processos humanos, das apropriações cotidianas, visto que com frequência a cidade é lida por olhos que a interpretam à distância, superficialmente, produzindo entendimentos manipulados sobre o espaço público. Para tanto, a pesquisa bibliográfica é realizada por meio de livros, artigos, experiências, noticias, teses e dissertações que serviram de referência teórica e foram reunidos em busca de outras formas de apreender a vida urbana cotidiana, a partir de aspectos não espetaculares. Como resposta a esta interpretação urbana descorporificada, busca-se aqui um experimento: a leitura da cidade a partir da proximidade, na escala do corpo e principalmente através da observação do outro. Essa dimensão pública e humana não pode ser ignorada e por isso o trabalho investiga o próprio caminhar na cidade como estratégia de pesquisa, sensibilização (para aqueles que se interessam pelos aspectos mais sensíveis do urbano) e forma de conhecimento da relação entre corpo e cidade. O aspecto a que estamos habituados e a forma de relação que temos com o mundo se transformam quando abrimos o campo para esse outro ponto de influências referido no plano baixo, da territorialidade, do contato, do movimento, do reconhecimento, e da apropriação.





