Mobilidade do cuidado: deslocando a mobilidade urbana para garantir cidades que cuidam
O agravamento das desigualdades socioespaciais, de gênero e raciais tem exigido uma revisão teórica e prática profunda no campo do planejamento da mobilidade. O debate crítico revela a marginalização de grupos sociais, territórios e práticas espaciais cotidianas, enraizada em valores patriarcais, racistas e eurocêntricos. Na América Latina, a mobilidade do cuidado é realizada predominantemente por mulheres periféricas, cuja principal forma de deslocamento é a mobilidade a pé, combinada com o transporte público. No entanto, a falta de compreensão sobre como a experiência diferenciada de deslocamento cotidiano desse grupo específico, aliada a pressupostos positivistas e tecnocráticos, desvaloriza formas não hegemônicas de ser e existir no espaço urbano. Neste artigo, busca-se refletir sobre como a mobilidade a pé se relaciona com a mobilidade do cuidado. Para tanto, propõe-se uma discussão sobre a invisibilidade dos deslocamentos relacionados à mobilidade do cuidado nas pesquisas origem-destino, além de explorar outros instrumentos e métodos de planejamento que possam contribuir para um avanço ético, político e teórico-metodológico, ao adotar perspectivas centradas na mobilidade cotidiana a pé, rumo a um urbanismo feminista, situado e transformador, que promova cidades cuidadoras e comprometidas com a garantia da vida.





