REPÚBLICA, SUBSTANTIVO FEMININO: UMA ANÁLISE DA (IN)VISIBILIDADE DA MULHER NO MUSEU DA REPÚBLICA.
Esta pesquisa surge do incômodo gerado ao visitar o Museu da República e perceber como a configuração do espaço, tal como se apresenta, deixa de lado o protagonismo feminino na construção da República brasileira. Sabe-se que o espaço educa e é potente na construção de narrativas. No Curso de Arquitetura e Urbanismo, pude perceber o valor do museu como patrimônio para muito além da sua própria edificação - o patrimônio é símbolo da memória e, por isso, ele estrutura formas de ver, pensar e narrar o mundo - o passado, o presente e futuro se reconectam, permitindo ao visitante vislumbrar o seu (não) pertencimento, em várias dimensões. Como mulher, sob a ótica de quem está recebendo, organizando, criticando e transformando as narrativas do mundo atual, sobre os mais diversos assuntos, tive a sensação, em vários momentos, de não ser reconhecida e pertencente a muitos desses espaços. Nos grupos de estudo, nas aulas, nos corredores e em diferentes espaços da cidade, pude partilhar este sentimento de (des)pertencimento em várias outras escalas. Algo que inicialmente parecia individual, um incômodo pessoal, quando verbalizado e compartilhado se tornou uma questão, uma indagação e uma forte motivação de trabalho. Como poderia transformar esse incômodo em um objeto de estudo?





